sexta-feira, 13 de junho de 2008

SOBRE CONVERSAS: EDIÇÕES...


"Mais urgente não me parece tanto defender uma cultura cuja existência nunca salvou uma pessoa de ter fome e da preocupação de viver melhor, quanto extrair, daquilo que se chama cultura, idéias cuja força viva é idêntica à da fome. Todas nossas idéias sobre a vida têm de ser revistas numa época em que nada mais adere à vida. E esta penosa cisão é motivo para as coisas se vingarem, e a poesia que não está mais em nós e que não conseguimos encontrar mais nas coisas reaparece, de repente, pelo lado mau das coisas; e nunca se viu tantos crimes, cuja gratuita estranheza só se explica por nossa impotência em possuir a vida. Se o teatro existe para permitir que o recalcado viva, uma espécie de atroz poesia expressa-se através de atos estranhos onde as alterações do fato de viver mostram que a intensidade da vida está intacta e que bastaria dirigi-la melhor".


Antonin Artaud


“Há pelo menos dois modos de considerar um caminhar, e cada um deles tem suas próprias conseqüências éticas. O primeiro consiste em levar em conta apenas o ponto de chegada. É o que poderíamos chamar de “viagem de resultados”. O que interessa é o ponto final. No segundo, o interesse maior está voltado para o trajeto, isto é, para o processo. Diz-se então que o caminho se faz ao caminhar, desvela-se à medida em que o percorremos. No primeiro caso estamos preocupados com um ponto, com uma coisa. No segundo, interessa-nos um processo. Na primeira circunstância abrevia-se o mais possível o caminho, porque ele não interessa. Na segunda, busca-se a experiência do trajeto”.


(“CIÊNCIA COGNITIVA E EXPERIÊNCIA HUMANA - Cognitivismo, Conexionismo e Ciência Cognitiva Enativa: Suas Implicações Éticas”. Humberto Mariotti).

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Qualquer coisa que nao fixe - e que nao fique ilesa!!!


Um rinoceronte estava rondando a sala de encontros do ORIGAMI. Encontrava sempre com ele. E ele a perguntar: será que um dia eu entro aí? E eu nunca sabia a resposta... Até que um dia ele me perguntou onde EU estava, logo respondi: vc está aí... e apontei para ele! Ele insistiu, perguntou de novo, dizendo: não pergunto sobre você, pergunto sobre EU. Então entendi e disse: EU - apontando pra ELE - estou em todos os lugares onde EU apontar! Então ele apontou para mim e disse: EU estou aí! E no sorriso que ele me deu consegui perceber que agora ele poderia entrar na sala e ficar tranquilo!


RINOCERONTE: SEJA BEM VINDO!!!

terça-feira, 27 de maio de 2008

sábado, 17 de maio de 2008

Contranarciso - Paulo Leminski

Em mim
Eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas
O outro
que há em mim
É você
Você
e você
Assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
E só quando estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós.

sábado, 10 de maio de 2008

PCIU






Acho excelente o nome o projeto - Acho que deveríamos marcar uma reunião com todos para discutirmos os melhoramentos e para escrever para o edital.
Aí vão as imagens selecionadas...

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Direções, formas e infiltrações.


PCIU – Primeiro Circuito de Intervenções Urbanas
Fruto de nossos encontros:

Uma grande rede!!!

Alargamos nossa conexão.
Nossas ações dessa sexta-feira alcançaram uma grande proporção. Alastramos nossas investigações para muito longe: aprofundamos em nós, instigamos em outros.
Diante disso, penso em generosidade. Não ter medo de abrir nosso campo perceptivo, não determinar um lugar exato de criação, deixar-se atravessar e assim sempre mover-se. Não apenas estar no conforto do trajeto já conhecido.
É muito satisfatório visualizar um mapa de nosso percurso até aqui, e poder ter a consciência de onde passamos, do que faz mover, pois assim o olhar perante o que nós realizamos se torna amplo e as conexões acendem-se. Pode-se também pesar a responsabilidade de um ambiente coletivo, e como se faz necessário um carinho, uma atenção ao que se propõem.

É bom sentir-se responsável pela formação desse nosso trajeto.
É melhor ainda saber que esse trajeto sempre continua, infiltra-se e grita em todas as direções do olhar! (nesse momento me vem forte a lembrança do que senti ao pintar uma mandala).

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O R I G A M I
união de várias pessoas para criar


Ola pessoal!

Nós do ORIGAMI estamos confirmando nosso "Primeiro Circuito de Intervenções Urbanas", que como previsto e divulgado acontecerá no dia 09 de maio.

Dentro das ações que nós estamos propondo, o tempo estimado para o percurso é de aproximadamente 3 hrs (à partir das 11hrs até as 14:15). Para os que nos acompanharão terem uma melhor localização dentro desse tempo fizemos uma tabelinha com os horários em que as ações transcorrerão:


Inicio da ação
Término da ação

Reunião inicial no Vila Arte
11hrs
11:45 hrs

"Marmita" – praça de alimentação do Shopping Mueller
12hrs
12:40 hrs (tempo máximo de permanência)

Barquinhos de Papel – Chafariz do Memorial Gibran Kalil
12:45 hrs
13:15 hrs

Abraço - rua XV de Novembro
13:35 hrs
13:45 hrs

Paredão – Praça Generoso Marques
14:00 hrs
14:15 hrs


*Os intervalos de tempo entre cada ação, são para deslocamento entre os locais das intervenções.

Lembrando que cada ação será discutida detalhadamente na reunião, e que os participantes não têm obrigatoriedade de estarem presentes em todas as ações, mas é importante a presença na reunião inicial.



Nos vemos no Vila Arte, no dia 09/05, as 11h

Rua Saldanha Marinho, nº76 sala 3.

Intervenção Urbana

R I G A M I
união de várias pessoas para criar


Nós do "Origami", convidamos vocês a estarem junto com a gente no nosso "Primeiro Circuito de Intervenções Urbanas".


Dentro de nossas investigações surgiu a curiosidade e a vontade de explorar as relações que as pessoas criam com o espaço. E tentaremos objetivar essa vontade mudando, num determinado intervalo de tempo, o espaço em que elas estão inseridas, para poder observar as diferentes reações a partir das mudanças propostas.


Uma referência que tem nos dado estímulo, são as experiências de um grupo norte-americano chamado Improv Everywhere. Esses são alguns links com conteúdo do grupo:

http://www.youtube.com/watch?v=jwMj3PJDxuo

http://www.youtube.com/watch?v=dkYZ6rbPU2M&feature=user

http://www.youtube.com/watch?v=jdeBp8J0rqs&feature=user


A nossa proposta é de nos reunirmos no dia 9 de maio, ás 11h, no Espaço Cultural Vila Arte, para nos organizarmos dentro de uma estrutura de ações, descritas abaixo:


1. Marmitex


Ação: Chegar aleatoriamente na praça de alimentação carregando sua marmitex, procurar uma mesa para sentar, e degustar o seu almoço.

Onde: Praça de Alimentação do Shopping Mueller

Duração: Cada pessoa comerá no seu tempo, e depois irá para a segunda intervenção.


2. Barquinhos de papel



Ação: Fazer vários barquinhos de papel e coloca-los para navegar nas águas do chafariz.

Onde: Chafariz do Memorial Árabe Gibran Kalil.

Duração: 30 minutos


3. Abraço



Ação: Em duplas, as pessoas se encontrarão e se abraçarão, permanecendo congeladas nesta posição.

Onde: Rua XV de Novembro

Duração: 10 minutos


4. Paredão



Ação: O grupo se posicionará formando uma linha reta, com o mesmo espaço entre as pessoas. A cada cinco minutos esse espaço vai diminuindo

Onde: Praça Generoso Marques

Duração: 15 minutos


Os participantes não têm obrigatoriedade de estarem presentes em todas as ações.

Todo o circuito estará sendo filmado.

A idéia é iniciar a intervenção depois do meio dia, ou seja, teremos uma hora para explicar/discutir/modificar o plano de ações no dia das intervenções.


Nos vemos no Vila Arte, no dia 09/05, as 11h

Rua Saldanha Marinho, nº76 sala 3

sábado, 26 de abril de 2008

Origamescos Corpografistas!!!



Estou em plena vivência de experimentos e discussões sobre urbanismo, arquitetura com relação ao corpo. Durante essas discussões, nossas propostas de intervir em espaços urbanos tem sido um ponto de onde as questões reverberam para uma reflexão. Estou em outro espaço, com outras pessoas, mas sempre atento para que as conexões formadas por nossa união circulem. E assim, me sinto carregando cada um de vocês comigo!
Veremos como vai ser nosso próximo encontro. Fico curioso pra saber onde estou sendo carregado por cada um de vocês...
Bem, bem, bem... Tenho informações para colocar em trânsito aqui. Essas informações são de textos que colocarei na nossa pastinha. São textos trabalhadas no workshop da Casa Hoffmann, desse fim de semana, que está sendo ministrado pela arquiteta-urbanista Paola Berenstein Jacques (que é autora do texto de onde tirei esses trechos junto com a crítica de dança Fabiana Britto).

“A corpografia é uma cartografia corporal (ou corpo-cartografia, daí corpografia), ou seja, parte da hipótese de que a experiência urbana fica inscrita, em diversas escalas de temporalidade, no próprio corpo daquele que o experimenta, e dessa forma também o definem, mesmo que involuntariamente”

“espetáculo: tudo aquilo que não é participativo”

“Ambiente entendido como um conjunto de condições para as relações acontecerem e a corporeidade entendida como a síntese transitória desse processo contínuo e involuntário”

“Quais seriam as alternativas possíveis ao espetáculo urbano? Como transformar as cenografias urbanas? Através da apropriação, da experiência efetiva ou prática dos espaços urbanos, pela própria experiência corporal, sensorial, da cidade”.

“Através do estudo dos movimentos e gestos do corpo (padrões corporais de ação) poderíamos decifrar suas corpografias e, a partir destas, a própria experiência urbana que as resultou.”

“no momento em que a cidade – o corpo urbano – é experimentada, esta também se inscreve como ação perceptiva e, dessa forma, sobrevive e resiste no corpo de quem a pratica.”

Acho interessante a leitura desses textos e até uma discussão sobre, antes do nosso “circuito de intervenções urbanas”.

Espero que aproveitem!!!Bjos

OFIINA DE IMPROVISAÇÃO COM FÁBIO LINS

quinta-feira, 24 de abril de 2008

ai a imagem ficou pequeninha, to passando o link do site do Mark Ryden, dá pra ver outros trabalhos dele e ver essa imagem em um tamanho maior, o nome dela é "Princess Sputnik"

http://www.markryden.com/

Bom proveito, Gabriel Machado

Infância-conexão-dúvida-lberdade-criação


Quero traçar certos paralelos entre essa imagem de Mark Ryden, que mesmo tendo abertura para inúmeras interpretações, vou me centrar no que mais faz conexão no momento.
Hoje durante nosso encontro, comentei com a Ju Alves, que em certos momentos me senti como uma criança, um bebê mesmo(ó-ó-ó cuti-cuti) e isso trouxe referências e relações que fazem muito sentido, seria como essa configuração, essa lembrança mesmo que remota estivesse presente em tudo. Eu já havia conversado com o Lyncoln sobre isso, lembrando todas as nossas peripécias e catástrofes infantis, e como isso se relacionava com nossa configuração atual. Apesar de tudo ser diferente hoje, o fetozinho ainda está ali, dando uma pitadinha aqui, outra acolá, e às vezes é preciso conversar com esse fetozinho que está ali dentro, para libertar, questionar, duvidar e criar, coisas inerentes a infância. Para correr atrás dos pombos, para brincar com as mãos... Enfim, para não se levar tão a serio.
“Só é possível criar quando se duvida da própria existência”

E rumo a “Genteteca” hohohoho

Beijinhos... Gabriel Machado

Ioooooooooolllll ... quantas conexões!!!!!!!!

Acabo de ler um texto sobre o olhar no meu livrinho "O que é fotografia", e logo em seguida, me deparo com essas novas postagens do nosso multi/trans/inter blog. Fogo ... isso é que é!
Vá lá, a minha contribuição para as conexões infinitas do dia de hoje:

"Nossa apreensão do mundo visível com o binômio olho-cérebro (a retina é efetivamente um prolongamento do tecido cerebral) tem muito pouco a ver com a visão máquina-filme. É lugar comum, quando se trata de explicar o funcionamento da máquina fotográfica, compará-la ao olho humano, mas a semelhança não vai além do aspecto experior, estrutural, e tem muito pouco a ver com o funcionamento de um e de outro. O simples fato de olharmos a realidade objetiva já a transforma. Os olhos, óbvios e transparentes nos caminhos físicos da luz, tornam-se turvos, misteriosos e escuros nos intrincados meandros cerebrais que processam a informação visual. Ali se misturam outras realidades que condicionam, sublimam e tranformam a realidade clarescura da luz. Vemos com mais nitidez o que queremos ver; podemos ver, até, apenas o queremos ver."
Cláudio A. Kubrusly

O que você vê no que estamos a construir juntos??? O que quer ver ... e dar a ver???

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Já que tá que vá!

Já que tocamos neste sentido bem hoje que estou fascinada por um texto do José Gil teremos então mais uma bibliografia na nossa pastinha, ele se chama "Olhar e visão".
Palavrinhas pinceladas do texto...
"Entre dois olhos há a distância de um deserto"

"O olhar escava a visão, imprime sulcos na paisagem...introduz os primeiros filtros seletivos da percepção"

"de onde vejo o mundo?"

"Entre ver passar os barcos e olhar os barcos que passam"

"O olhar não se limita ver, interroga e espera resposta"

"A pele e uma imagem-nua à espera de forma, quer dizer, de encarnar um sentido."

terça-feira, 22 de abril de 2008

Captando ou Sintonizando os vários sinais liberados até então...

Depois de todo esse tempo que temos passado juntos e de nos percebermos, nos conhecermos e estabelecermos diferentes relações, tenho a sensação de estar sendo tocado e provocado por um tipo de estímulo que se parece com um sintonizador, com um catalisador de nossas conexões.
As vezes eu fico recordando nossos encontros, e relacionando elementos. Não que eu estou querendo criar um encaminhamento, não é isso. É por reconhecer um “lugar quentinhu” (emprestando a expressão emprestada por Ju Adur), que é esse, de perceber que nossas conexões estão levando a um mover, estão colocando vontades em ponto de latência. Resta a inquietação: quando o processo de latência vai ser transposto, e por onde as coisas se expandirão?
Que nossas anteninhas estejam bem atentas para captar e absorver ondas e freqüências, e que a responsabilidade e a generosidade sejam recíprocas entre nós, pois “coisas” estão se processando e se transformando a partir de nossa união e elas precisam de carinho para poderem se sustentar!!!
Não basta olhar somente com os olhos para perceber a grandeza e a beleza das coisas que estamos a construir. Não vamos negar esse nosso poder – é uma ESCOLHA!

Desdobramentos do cocôzinhu

http://br.youtube.com/watch?v=qmVn6b7DdpA
Um link que junta relações com o cocozinhu a um pouc de nostalgia!!!
Importante: mensagem encaminhada sem muitos julgamentos... mas com muita generosidade e necessidade de troca!!!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Eu mimipulo, tu mimipulas, nós mimipulamos


Tenho pensado na importância do registro das nossas ações origamescas. Ainda com bastante dificuldade em mover certas coisas da minha vida em palavras, me proponho a fazer uma ginastiquinha de escrever cada vez mais. Aí vão algumas anotações sobre a maravilhosa experiência de troca que tivemos com o Dico nessa semana mimipulativa. Ainda bem que continua semana que vem ... rrrrr ... ou será que não termina mais???


1. Se for para pegar, PEGA! Se for para bater BATE! - Fogo nas decisões, adoro isso!!!

2. Criar estratégias para o jogo, com uma certa "maldade". Silêncio e prontidão. Treinamento.

3. Nunca perder tempo se justificando por errar. É só integrar pessoal, é só integrar ...

4. Não tentar adivinhar e preceder as coisas, mas sim reagir com a imaginação. Agora!

5. Olha que bela relação com as sensações: quando a mão está no lugar certo da parede imaginária, ela fica quentinha. E ao sair, esfria. Quem já me ouviu falar do lugar quentinho?

6. Todo objeto invisível deve ser construído.

7. Na manipulação neutra, o manipulador nunca olha para a platéia. Ele olha para o objeto e, ao olhar para o objeto, puxa o olhar da platéia para ele também.

8. Onde termina meu corpo e começa o boneco ... que dizer, onde começa o boneco e termina meu corpo ... quer dizer, "donde termina tu cuerpo y empieza el mio" como canta Jorge Drexler?

9. Mudanças de presença do artista que manipula um objeto externo na ação, daquele que utiliza seu próprio corpo para animar.

10. Oh, my God ... tudo pode ser animado!!!!!! Saímos todos do curso com vontades infinitas de experimentar muito mais. E isso para mim é certamente o mais valioso. As vontades que permanecem vivas. Vamos animar o mundo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


É isso. Seria bom saber como foi essa semana para vcs também. Feedback nunca é demais!

Beijinhos .......................................

quinta-feira, 17 de abril de 2008

A História do Cocô

"Era uma vez um cocô. Um cocozinho feio e fedido, jogado no pasto de uma fazenda. Coitado do cocô! Desde que aparecera no mundo, ele vivia tentando conversar com alguém, fazer amigos, mas quem passava por ali não queria saber dele:- Hunn! Que coisa fedida! Diziam as crianças.- Cuidado! Não encostem na sujeira! Avisavam os adultos. E o cocozinho, sozinho, passava o tempo cantando triste:Sou um pobre cocozinhoTão feiinho, fedidinhoEu não sirvo pra nada. Ninguém quer saber de mim...De vez em quando ele via uma criança e torcia para que ela chegasse perto dele, mas era sempre a mesma coisa:- Olha que porcaria repetiam todos. Não restava nada para o cocô fazer, a não ser cantar baixinho: Sou um pobre cocozinho Tão feinho, fedidinho Eu não sirvo pra nada. Ninguém quer saber de mim...
Assim o tempo foi passando e o cocozinho continuava lá no pasto sozinho. Um dia ele viu que um homem aproximar-se, já a imaginar o que ia acontecer, o cocozinho encolheu-se. “Mais um que vai gozar”, pensou.Mas...oh! Surpresa! O homem foi aproximando-se, foi abrindo um sorriso e seu rosto iluminou-se:- Mas que maravilha! Que belo cocô! Era exactamente disto que estava precisando!O cocô nem acreditava no que estava ouvindo. Maravilha, ele? Precisando? Aquele homem devia ser maluco!Pois aquele homem era um jardineiro. E usando uma pá, com todo cuidado, ele levou o cocozinho para um lindo jardim. Ali, acomodou-o na terra, ao pé de uma roseira. E depois de alguns dias, o cocozinho percebeu, feliz e orgulhoso, que, graças a sua força, a roseira tinha feito brotar uma magnífica rosa vermelha."

Não consegui achar o nome do autor... depois de ter feito de minha mão um personagem, e de criar sentimentos para objetos, penso nas possibilidades de relções, e sem julgar de mais alastro minhas percepções!!!

terça-feira, 8 de abril de 2008

domingo, 6 de abril de 2008

Beleza aprisionada na forma e Beleza Sublime


Tenho pensado na “crueldade” de Artaud!
As experiências de criação, e vivências de um espaço vivo trouxeram uma reflexão sobre como começar, sobre experiência ao invés de exercício, sobre estrutura e autonomia, e não métodos fixos.
Quando separações de posturas em estúdio de ensaio e em palco se dissolvem, a responsabilidade pesa, pois sendo assim se está constantemente diante da obra presente, atual, ativa. Há que se abrir a percepção ao que ainda não começou a existir. Há a quentão do tempo e da expectativa. Qual deve ser a medida certa de passado, e preocupação não desesperada com o futuro? Pois mesmo com a percepção aguçada para compor um espaço onde as ações ainda não existem, é impossível dissociar-nos dessa questão de tempo, é preciso não viver morto, no passado (repetir, representar), nem afogar-se nas expectativas do futuro, muito menos doar-se somente ao presente caótico e dionisíaco. Não há que se pensar em separações, as coisas já são devidamente misturadas, evidenciar uma dessas separações, é sufocar outras, e não dar fluxo para a espontaneidade, o que comprometerá totalmente a expressão.
Tomemos cuidado para não estarmos mortos já no nosso nascimento! Que se esteja atento para perceber que a “crueldade” é o primordial da consciência, é a vida a partir da morte do Deus, do retorno.


Sobre Repetições e Espontaneidades.
Algumas discussões sobre gesto e mímica, fizeram despertar o interesse no apresentado e no representado.
Há que se tomar cuidado ao julgar as nossas expressões. Nossa linguagem está completamente dissolvida em nossas metáforas, enquanto falamos a necessidade de extrapolar ao verbo a expressão desejada, é facilmente notada nas nossas gesticulações. Qual seria o sentido do gesto? Reforçar a mensagem?
Nesse momento, acho importante pensar no que é apresentado e no que é representado, no que é apenas repetido e não criado, e no que é espontâneo e vivo. Quando o gesto é apenas repetido, e quando ele é espontâneo?
Penso que o gesto, sinteticamente, participa da linguagem, como metáfora, e como suprimento de um desejo de expressão não alcançado pela palavra. E que a forma como ele irá exteriorizar-se está diretamente ligado à intensidade desse desejo. Por isso, o gesto mesmo que mimético, ou figurado, pode ser encarado como mímica, mas acredito que não seja tão simples caracterizá-lo como representativo e não espontâneo. Seu fim pode, em alguns momentos, ser reconhecido como repetição, mas sua origem com certeza é sempre originária de uma espontaneidade nascida de um deslocamento do desejo.
São algumas reflexões, e angústias que gostaria de compartilhar...

Uma estrutura se formando:
Gesto, sua intesidade e forma - relaçoes de interesse e sedução na linguagem - vontade e objeto - desdobramentos do desejo.