quinta-feira, 9 de abril de 2009


coisas que apreendemos ficam impressas em nosso corpo,movimento, inquietações.Investigação do movimento, saímos quer queiramos ou não modificados.Propor, palavra chave que me instiga,o artista é proponente,busca constante.As vezes criamos nossas próprias armadilhas e nos encerramos numa mesmice constante,o movimento se faz necessário em meio a tempestades e calmarias é preciso ter coragem de rompermos um espaço que nos delimita, e olharmos e vivenciarmos o que nos aguarda lá fora, coragem de ser.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Contrário disso: a capacidade de um corpo ser afectado

extraído do blog: luizcarlosgarrocho.blogspot.com
*Muito legal esse blog!!

7.1.07

No campo da criação corpórea aparece sempre a questão do corpo como um fenômeno de comunicação. Entranto, adentrei por um desvio que apresenta o corpo em suas forças capazes de afecção, a partir do pensamento de Gilles Deleuze, principalmente. Nessa busca, deparei-me com um texto de Peter Pál Pelbart, do qual publico um trecho que é, antes de tudo, muito inspirador:"... seria preciso retomar o corpo naquilo que lhe é mais próprio, sua dor no encontro com a exterioridade, sua condição de corpo afetado pelas forças do mundo e capaz de ser afetado por elas: sua afectibilidade. Como o observa Barbara Stiegler, para Nietzsche todo sujeito vivo é primeiramente um sujeito afetado, um corpo que sofre de suas afecções, de seus encontros, da alteridade que o atinge, da multidão de estímulos e excitações que lhe cabe selecionar, evitar, escolher, acolher7.Nessa linha, também Deleuze insiste: um corpo não cessa de ser submetido aos encontros, com a luz, o oxigênio, os alimentos, os sons e as palavras cortantes -um corpo é primeiramente encontro com outros corpos, poder de ser afetado. Mas não por tudo e nem de qualquer maneira, como quem deglute e vomita tudo, com seu estômago fenomenal, na pura indiferença daquele a quem nada abala...Como então preservar a capacidade de ser afetado, senão através de uma permeabilidade, uma passividade, até mesmo uma fraqueza? Mas como ter a força de estar à altura de sua fraqueza, ao invés de permanecer na fraqueza de cultivar apenas a força, pergunta Nietzsche e, no seu rastro, Stiegler, Lapoujade? Gombrowicz referia-se a um inacabamento próprio à vida, ali onde ela se encontra em estado mais embrionário, onde a forma ainda não “pegou” inteiramente8, e a atração irresistível que exerce esse estado de Imaturidade, onde está preservada a liberdade de “seres ainda por nascer”... Porém, será possível dar espaço a tais "seres ainda por nascer" num corpo excessivamente musculoso, em meio a uma atlética auto-suficiência, demasiadamente excitada, plugada, obscena, perfectível? Talvez por isso tantos personagens literários, de Bartleby ao artista da fome, precisem de sua imobilidade, esvaziamento, palidez, no limite do corpo morto. Para dar passagem a outras forças que um corpo excessivamente blindado não permitiria. Mas será preciso produzir um corpo morto para que outras forças atravessem o corpo?José Gil observou o processo através do qual, na dança contemporânea, o corpo se assume como um feixe de forças e desinveste os seus órgãos, desembaraçando-se dos “modelos sensório-motores interiorizados”, como o diz Cunningham. Um corpo “que pode ser desertado, esvaziado, roubado da sua alma”, para então poder “ser atravessado pelos fluxos mais exuberantes da vida”. É aí, diz Gil, que esse corpo, que já é um corpo-sem-órgãos, constitui ao seu redor um domínio intensivo, uma nuvem virtual, uma espécie de atmosfera afetiva, com sua densidade, textura, viscosidade próprias, como se o corpo exalasse e liberasse forças inconscientes que circulam à flor da pele, projetando em torno de si uma espécie de “sombra branca”9. Não posso me furtar à tentação, nem que seja de apenas mencionar, a experiência da Cia. Teatral Ueinzz, que coordeno em São Paulo, na qual reencontramos entre alguns dos atores ditos psicóticos, posturas “extraviadas”, inumanas, disformes, rodeados de sua “sombra branca”, ou imersos numa “zona de opacidade ofensiva”10.O corpo aparece aí como sinônimo de uma certa impotência, mas é dessa impotência que ele extrai uma potência superior, nem que seja às custas do corpo empírico.Pois é às custas do corpo empírico que um corpo virtual pode vir à tona. Desde o jejuador até o homem-inseto, os personagens de Kafka reivindicam um corpo “afetivo, intensivo, anarquista, que só comporta pólos, zonas, limiares e gradientes”. Como dizem Deleuze-Guattari, num tal corpo se desfazem e se embaralham as hierarquias, “preservando-se apenas as intensidades que compõem zonas incertas e as percorrem a toda velocidade, onde enfrentam poderes, sobre esse corpo anarquista devolvido a si mesmo”11, ainda que ele seja o de um coleóptero. “Criar para si um corpo sem órgãos, encontrar seu corpo sem órgãos é a maneira de escapar ao juízo” do pai, do patrão, de Deus, é uma maneira de fugir a todo um sistema do juízo, da punição, da culpa, da dívida.Ao invés da dívida infinita em relação à instância transcendente, o embate dos corpos, num sistema da crueldade imanente. Há aí, insistem os autores, nesse corpo desfeito e intensivo, tal como aparece em Kafka, uma vitalidade não-orgânica, inumana, e um combate: “Todos os gestos são defesas ou mesmo ataques, esquivas, paradas, antecipações de um golpe que nem sempre se vê chegar, ou de um inimigo que nem sempre se consegue identificar: donde a importância das posturas do corpo”12.Mas o objetivo do combate, diferentemente da guerra, não consiste em destruir o Outro, mas em escapar-lhe ou apossar-se de sua força. Em suma, o combate como uma “poderosa vitalidade não-orgânica, que completa a força com a força, e enriquece aquilo de que se apossa”.Mas o que é essa vitalidade não-orgânica? Em “Imanência: Uma Vida”, último texto escrito por Deleuze, comparece um exemplo -o de Dickens. O canalha Riderhood está prestes a morrer num quase afogamento, e libera nesse ponto uma “centelha de vida dentro dele” que parece poder ser separada do canalha que ele é, centelha com a qual todos à sua volta se compadecem, por mais que o odeiem -eis aí uma vida, puro acontecimento, em suspensão, impessoal, singular, neutro, para além do bem e do mal, uma “espécie de beatitude”, diz Deleuze"
13.

Peter Pál Pelbart -

Referências:(texto completo em http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,1.shl)
7 - Barbara Stiegler, "Nietzsche et la Biologie", Paris, PUF, 2001, p. 38.
8 - Witold Gombrowicz, "Contre les Poètes", Paris, Ed. Complexe, 1988, p. 129.
9 - José Gil, “Movimento Total”, Lisboa, Relógio d´Água, 2001, p. 153.
10 - http://ueinzz.sites.uol.com.br/home.htm
11 - G. Deleuze, “Crítica e Clínica”, São Paulo, Ed. 34, p. 149.
12 - G. Deleuze, “Crítica e Clínica”, op. cit., p. 149-150.
13 - G. Deleuze, "L´Immanence, Une Vie", in « Deux Régimes de Fous », Paris, Minuit, 2003.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Tarde chuvosa em um boteco qualquer. Cervejas, cigarros e pensamentos

Investigação. Palavra importante no vocabulário do artista. A investigação move para o desconhecido, o novo pra mim, a arte. O novo pra mim pode ser material já conhecido para outros mas o corpo tem limitações momentâneas. Momentâneas porque se investiga-se passa a conhecer o desconhecido até que outra descoberta aconteça, assim o corpo vai se renovando e ampliando-se.

União. O outro sempre é diferente de você, possui outros pensamentos, verdades, e provoca questionamentos até então não questionáveis. Ou colabora com a compreensão de dúvidas já existentes. O contato pode ser demolidor; Algo necessário pois a renovação é necessária. A solidão na criação é algo doloroso, acredito hoje. A união gera ampliação.

Movimento. Percebo que posso mover tudo e que tudo me move, constrói forma no meu corpo. Este é um suporte para o invísivel e também o palpável que me cerca. Mover vontades, desejos, sentimentos, percepções, o espaço, as pessoas, objetos.

Liberdade. O que eu faço com isso? O que quero dizer, o que proponho, o que modifico? Aproveitar a liberdade e a autonomia com questões, indagações; Propor. Mover. Investigar.

Não fechar esse espaço aberto, esses encontros, essas crises. Desdobrar sempre!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A prova final foi...

O essencial para o artista reside em exprimir em movimento a comunicação que ele estabelece com ele mesmo, a relação que ele cria com seu meio e o olhar que ele porta sobre sua culturae a sociedade na qual ele vive ( FRANK Widman)

Se esta citação acima, fosse a resposta.

Qual seria a pergunta?

Tentativas correm...mas é muito difícil defini-la sem rodeios... sem algo a mais...

A pergunta sempre é mais difícil do que respostas... Ela é simples e contem todo o conteúdo implícito.

Portanto...

Temos muitas respostas nos livros mas o que é difícil mesmo é saber a pergunta no meu corpo...?


AMORA


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Dualidades



Eu sei o quê dizer. Eu sei o quê dizer. Meu nome é Rafael Ricardo Pereira e confesso que estou em crise. Meu nome é Rafael Di Lari e confesso que estou em crise. Não sou o mesmo. Eu não sou o mesmo. A cada dia sou um outro. Frágil, sem verdades. Crenças. Sem me impor, eu sigo a manada. Me confundo com um outro, igual, e por um segundo surge a possibilidade daquele outro ser eu. Seria eu, então, um psicopata em potencial planejando ataques à senhoras gordas com suas sacolas de compra no centro de Curitiba atropelando pessoas nas suas pressas estúpidas de chegarem a lugar algum? E não chegarão pois são todas animais com objetivos pré-históricos... Ou...seria...eu...Ou seria eu um budista em repouso meditativo contemplando o sofrimento humano e esperando a Iluminação nos intervalos da novela das oito? Não sei o quê dizer. Eu sei o quê dizer. Sou uma cicatriz na testa e pintas e pêlos exclusivos que só eu possuo. Um antropofágico com refluxo, perdido em meio a um desfile carnavalesco de referências que a todo instante se justapõem e somem em devaneios. Sou Rafael Ricardo Pereira e sei o quê dizer. Sou Rafael Di Lari mas não sei o quê dizer.


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Encontros







tente entender o que pinto e o que escrevo agora.Vou explicar: Na pintura como na escritura procuro ver estritamente no momento em que vejo e naõ ver através da memória de ter visto no instante passado. O instante é este. O instante é em si mesmo iminente. Ao mesmo tempo que eu o vivo, lanço-me na sua passagem para outro instante.


(do livro àgua viva-Clarice Lispector)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Autonomia antes ou depois da ...autonomia


"particularmente, a oposição entre ideologia e ciência, que, explícita ou implicamente, fazia parte a conceptualização do conceito de ideologia desenvolvido por várias vertentes marxistas, não pode, depois do pós-estruturalismo, ser tão facilmente sustentada. Depois do pós - estruturalismo e partiularmente depois de Faucault, a oposição entre ciência e ideologia, fundamentada coo é na oposição "verdadeiro - falso", simplesmente se desfaz. Nesse sentido, as teorias pós-críticas, ao comtrário das acusações que lhes são feitas, ao deslocarem a questão da verdade para aquilo que é considerado verdade, tornam o campo social ainda mais politizado." (Tadeu T. 2007, p.146)

rede de criação



"porque nossa educação nos ensinou a separar e isolar as coisas. Separamos seus objetos de seus contextos, separamos a realidade em disicplinas compartimentadas umas das outras. A realidade, no entanto, é feita de laços e interações, e nosso conhecimento é incapaz de perceber o complexus - aquilo que é tecido em conjunto"(Morin, 2002, p. 11)


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Um bom coração é um coração caótico




Aquele que não tem perguntas, não encontra respostas. Aquele que não busca nada, não encontra nada. A história dos grandes inventos registra casos célebres de indivíduos que viam o que milhares e milhares haviam visto, porém, pessoas que souberam mover o caleidoscópio da natureza e da cultura, para obter novas configurações com os mesmos elementos que haviam estado à mão de todos.
M. Rodrigues

Parece que as idéias criadoras só nos ocorrem quando empregamos muito tempo e energia exatamente na atividade que lhe torna mais difícil emergir (...) talvez essa imersão em nosso assunto seja condição de pensamento criador, não só porque os dá os materiais com que pensamos, mas ainda porque nos familiariza com as dificuldades do problema.
Gruber

A criação do novo não é conquista do intelecto, mas do instinto de prazer agindo por uma necessidade interior. A MENTE CRIATIVA BRINCA COM OS OBJETOS QUE AMA.
Jung



quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Guaranteed (Tradução)
Eddie Vedder
Composição: Eddie Vedder

Garantido

De joelhos não é maneira de ser livre
Levantando um copo vazio, pergunto silenciosamente
Todos meus destinos aceitarão aquele que sou eu
Para que eu possa respirar...

Círculos que crescem e engolem pressoas inteiras
Metade de suas vidas dizem boa noite para esposas que nunca irão conhecer
Uma mente cheia de perguntas, e um professor em minha alma.
E assim vai...

Não se aproxime ou terei que ir
Segurando-me como a gravidade são lugares que puxam
Se alguma vez houve alguém que me manteve em casa
Seria você...

Todos que encontro, em gaiolas que compraram.
Eles pensam de mim e meus vacilos, mas nunca sou quem eles pensaram
Eu tenho a minhas indignações, mas sou puro em todos os meus pensamentos.
Eu estou vivo...

Vento em meus cabelos, me sinto parte de todos os lugares.
Sob meu ser está um caminho que desapareceu.
Tarde da noite eu ouço as arvores, elas estão cantando com os mortos
Sobrecarga...

Deixe comigo enquanto encontro uma maneira de ser.
Considere-me um satélite, sempre orbitando.
Eu conheço todas as regras, mas as regras não me conhecem.
Garantido...

*Ouvir música no youtube "Eddie Vedder - Guaranteed"

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Identidade

M.C. Escher


Quando eu tinha 5, 6 anos, eu morava em Sorocaba ( no interior de São Paulo) e morava em um prédio que ficava em uma rua bem inclinada. No alto da rua, tinha uma chácara onde eu, meu pai e meus irmãos íamos para brincar.

Um dia, voltando dessa chácara, soltei da mão de meu pai (meu pai sempre andava de mãos dadas com a gente) e corri rua abaixo em direção ao prédio.

Na entrada do prédio tinha um degrau e logo em seguida, outro. Como estava muito rápido, fui pular o primeiro degrau mas meu pé ficou preso e cai de testa na quina do segundo degrau. O piso era de pedra, daquelas retangulares.

Começou a sangrar muito e fiquei desesperado, chorando. Meu pai chegou e me levou até uma mulher que morava no térreo, e que era enfermeira, que me deu os primeiros pontos.

Tenho essa cicatriz na testa, no lado direito.
E provavelmente isso será a única característica minha que permanecerá igual até o fim dos meus dias.


Eu sou o que aparento ser? O que me difere dos outros? Como captar o instante em que sou isso se logo posso ser outro?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Contaminações

-Esse que grita sou eu? Pode ser?
-Sim.
-Sim?
-Pode ser.
-E você?
-Não.
-O quê?
-Não posso ser.
-Mas como?
-Somos diferentes.
-Ah é?
-Sim.
-Tudo muda.
-O quê?
-...
-Fala!
-...

O Grito - Edvard Munch

Gerônimo está pulando. Quer sair, dançar, gritar, xingar.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008


Este quadro de Wyeth me faz pensar sobre nosso encontro do origami na quinta -feira .Hesitar mais ao mesmo tempo ser impelido por uma força contida dentro de si mesmo.A força já esta ali em potência.Ebulição constante mesmo na aparente inércia.Olhar e ver, estar atento.Propor ou não propor.Estar ali interferindo em um determinado espaço e sendo interferido por ele.Não há como escapar ,de alguma forma nos modifcamos só pelo "simples" estar ali diante de tantas possibilidades, diante de nós mesmos.A escolha é nossa,mas a força já se faz presente mesmo que embrionária.Pulsa. Citando Paul Klee: "Tornar vísivel o invisivel"

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

RAIVA- Ricardo Passos. Hoje essa pintura me disse alguma coisa.

Uma vontade que fica presa, entalada, no pescoço, no peito, nas mãos, nos olhos. Gritar, puxar os cabelos, quebrar alguns pratos, xingar a "Tia gorda que não espera o desembarque para embarcar". O sol que esquenta demais, o frio que é muito frio, a chuva chata, o tempo seco que seca, o não-ter nada para fazer, o ter muita coisa para fazer, o trânsito caótico, o silêncio irritante da natureza, o Homem, os animais.

Acho que estou um pouco mais aliviado.

Até,
Gerônimo. Ou heterônimo, ou heterônomino, ou pseudônimo, ou sinônimo.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Viagem rumo à cidade imaginária

- O Percurso
Uma viagem dentro da própria cidade. Turistas (re)visitando lugares tão conhecidos mas com uma outra intenção, um outro olhar: um olhar de turista.
O olhar de turista é curioso, atento. Percebe os cantos mais escondidos, o cheiro, os sons, o gosto do lugar.
O meu corpo preenchia os espaços da cidade interferindo no ambiente e sendo modificado pelo contato com as pessoas, os sons.

-A Cidade
"Pombal". Lugar abandonado, repleto de pombas. Forte cheiro de urina e fezes. Cidade esquecida no tempo e no espaço. Ninguém repara. Todos passam com pressa.
O percurso até Pombal foi ótimo. Pombal foi decepcionante mas tem a sua história e ela grita. Pena que ninguém escuta.
Fachada de Pombal

Rafael Di Lari

domingo, 28 de setembro de 2008

Francis bacon

Inocêncio X grita,mas grita por trás da cortina,não apenas como alguém que não pode mais ser visto,mas como alguém que naõ vê,nada mais tem para ver, que tem apenas por função tornar visíveis essas forças do invisível que o fazem gritar, essas potências do futuro.
....................................................................................................................................................................
Deleuze,Gilles.Francis Bacon.Lógica da sensação

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

tempo Paralelo

Diário de bordo


Ponto de partida : Uma grande incógnita, não sabia ao certo o que seria aquilo tudo.

Experiência nova, segui o meu percurso. Estabeleci três ações específicas: 1º buscar um espaço de solidão para permanecer ;2 ºParar em algum lugar para ler;3ºObservar e se aproximar da natureza dentro da cidade.

Esta três ações estabeleci no meu mapa antes de sair, mas quando sai , ao começar o percurso efetivamente, algumas coisas que não estavam no roteiro, começaram a surgir involuntariamente, como por exemplo o meu interesse em perceber a cidade sob novos aspectos que foi o que ficou o tempo todo entre as minhas três ações especificas. Foi interessante me deixar levar, quando vi me deparei com um poste que nunca havia percebido, parei algum tempo olhando pra ele, as pessoas passavam por mim e davam uma olhada discreta, O ritmo entre eu e aquelas pessoas havia sido quebrado , uma correria constante, as pessoas não param , ficam pra cima e pra baixo, tudo muito mecânico, automático e eu também no dia á dia sigo esse fluxo.M as neste dia me permiti parar, quebrar o ritmo da massa e parei, me permiti ficar ali olhando as formas circulares do poste vista de cima e as pedrinhas da calçada. A principio isto me causou um estranhamento, mais insisti e aos poucos fui me permitindo estar ali, sem aquela noção de estar perdendo tempo por não estar fazendo algo mais prático ou objetivo. Continuei meu percurso parei em frente a uma praça , me sentei e li um pouco, mais uma força maior me puxava em continuar simplesmente só observando sem fazer nada de concreto , simplesmente estar ali, sentindo o sol, olhando pra cima. Fiquei um tempo ali, depois fui andando e ainda dentro desta sensação fui percebendo a natureza que envolve a cidade, fotografei coisas que foram me chamando a atenção. Naquele momento era como se eu estivesse num outro tempo,não que estivesse em transe,mais como eu estava fazendo uma coisa que normalmente não faço e tinha quebrado minha própria rotina, tudo foi me envolvendo de um forma prazeirosa. Então aquela sensação inicial de incógnita foi se desmanchando, fiz umas fotos minhas em um dos momentos e continuei meu trajeto até meu ponto de chegada,minha cidade que até então não sabia o nome, mais que ao terminar o percurso chamei de Cidade Tempo Paralelo.




Adriano Carvalhaes
16/09/2008

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Rasante


Pois, viaja perto
Mas mesmo perto desconhece a distância

Quase pousa,
O pouso seria menor do que o movimento

Viaja, desloca, procura, conhece
Desconhece cada vez mais

Observa,
Deslumbrado fica feliz por já estar mais distante do seu comum...
Dia pós dia...

domingo, 6 de julho de 2008

Depois de tudo não há como não AMAR todos vocês!!!


Será que o trajeto chegou ao fim???

Não... Assim como quando nos encontramos ele não começou, simplesmente... já tínhamos coisas em nós, e foi a partir disso que construímos nossas conexões. E agora que não vamos mais nos encontrar três vezes por semana para criar, com certeza essas relações não acabam simplesmente! Agora é um momento que precisa de muita generosidade e carinho, pra que possamos alastrar essas conexões pra outros lugares, fazer com que elas não sejam só nossas... mas que de nós, desse nosso encontro de 5 meses, possam ser construídas outras conexões, que não serão simplesmente novas, não começarão simplesmente, mas construirão outros espaços.
Que hajam muitos ouvidos e que ecoem as vontades no espaço da criação!!! E que esses espaços sejam sempre frescos e curiosos, que a expectativa não sufoque o que emerge dos encontros, que não apenas repitamos.


Que sejamos artistas!