sexta-feira, 8 de maio de 2009

"Deram a volta à sala, uma procissão circular de dançarinos, cada um com as mãos nos quadris do dançarino precedente - e assim continuaram, volta após volta, gritando em uníssono, batendo com os pés ao ritmo da música, marcando vigorosamente a cadência com as mãos nas nádegas dos que estavam à sua frente; doze pares de mãos batendo como uma só; como uma só, doze pares de nádegas ressoando viscosamente. Doze em um, doze em um. 'Ouço-o chegar, ouço-o chegar!' A música acelerou-se, os pés bateram mais rápido, mais rapido, ainda mais rápido, bateram as mãos rítmicas. E subitamente uma poderosa voz sintética de baixo rugiu as palavras que anunciavam a expiação próxima e a consumação final da solidariedade, a vinda do Doze-em-Um, a encarnação do Grande Ser".

Trecho do livro ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, de Aldous Huxley, de 1941.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Questões pensativas (minhas) provocadas pelo IMP

Um grupo de pessoas se reúne em um período do dia da semana.
Juntam pessoas que vêm de uma investigação, procura ou curiosidade.
Juntam pessoas que buscam conhecimento, crescimento e /ou uma simples troca.
Pessoas que são diferentes no jeito de se expressar, falar, pensar, comer, dormir e viver, mas que podem encontrar semelhanças entre si ou não!
E foi nessa questão da diferença que fiquei muito pensativa depois que fizemos o último exercício das duplas, principalmente na parte de falar para o outro o que te interessava nele e como ele se movimentava.
Bom, surgiram algumas perguntas, tais como:
- Será que na hora que anotei o que me interessava nos movimentos do meu colega eu não acabei anotando e descobrindo justamente o que eu tinha dito que me interessava pra ele? (entenderam? hauhauha)
- Depois de ter visto que as coisas que escrevi foram meio vagas demais, surgiu a dificuldade: como contar exatamente qual é o jeito que ele faz os movimentos que me interessam?
- E será que os movimentos interessantes que anotei são características dele ou são os próprios movimentos apresentados que fazem parte dos seu trabalhos? Ou ele apenas se deteve no que achou interessante a respeito do que eu falei e tentou expressar em um movimento nunca pensado?

Aí estão algumas indagações que, como já disse, me deixaram muito pensativa. Acho que isso realmente aconteceu porque senti dificuldade de concluir o exercício.
E por isso que toco no assunto da diferença, pois achei que o Lyncoln conseguiu descrever muito bem o meu jeito de me movimentar e já eu não!
Portanto decidi expor as perguntas que surgiram e falar que foi meio complicado escrever como é o jeito dos movimentos do Lyncoln que me interessavam.
Bom, pode ser que eu tenha viajado um pouco e pensado demais, mas peraí, acho que também sou diferente! hauhauaha

Meus interesses

Me interessa o prazer, o outro, a relação com o outro, eu e você juntos, a união, a conexão, a paixão.
Me interessa a família, o laço, os filhos, o romantismo, a breguice, a sem-vergonhice e a canastrice.
Me interessa o ser humano.
Me interessa o corpo em toda sua complexidade, o corpo em movimento, o corpo aberto para a vida, o corpo frágil e persistente, o corpo que sente, a permanência, a ausência, a paciência.
Me interessa viajar, deslocar, me perder, me achar.
Me interessa ensinar, questionar, passar a bola prá frente, a generosidade, a personalidade, a idade.
Me interessa a natureza, a beleza, a pureza, a incerteza, a clareza, a safadeza e a delicadeza.
Me interessa um mundo de coisas impossíveis de listar. Me interessa o brilho no olhar. E amar.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

links de julgando balaú

http://www.youtube.com/watch?v=2aGQMOWVNBo

essa passagem do waking life é linda. holy moment, fino.

e este debaixo é o tal do oiticica, que muito tem me interessa a sua proposta de fazer baurus.

http://www.youtube.com/watch?v=vxEFy7GvFrs

bjso

nozes e tuzes

ministro cursos comigo mesmo e com um cão,
que mora aqui dolade casa, bonitinho, mas não conversa
invensão
sou enquanto processo
sabe a historia do gosto da panqueca quando tá na boca
é isso, e tambem não é.
bjs

terça-feira, 5 de maio de 2009

PROJETO: O CORPO EM CENA-INVADINDO CURITIBA


FOTO RAFAELIN POLI
A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA AO CONHECIMENTO PÚBLICO: O ARTIGO CIE

O percurso escolhido inicialmente para o projeto O Corpo em Cena Invadindo Curitiba era fruto de minha participação no Workshop Laboratório Corpo/Cidade. Ministrado pela arquiteta Paola Jacques Berenstein, foi realizado no Centro de Estudos do Movimento - Casa Hoffmann, em Curitiba, Paraná. O corpo, matéria fundamental das discussões contemporâneas, era tema central desta oficina. O debate girou em torno das relações entre corpo e cidade, das possibilidades de apreensão, através das experiências corporais, de questões sócio-políticas que envolviam arquitetura, urbanismo e arte.
As informações recebidas e as indagações suscitadas, tanto estimularam a realização deste projeto como apresentaram um labirinto cujos caminhos intricados me fizeram percorrer em círculos e entrar em becos sem saída. No entanto foi perdida que encontrei uma trilha que não havia notado anteriormente: sua relação com minha experiência pessoal que está inscrita em minha trajetória corporal. Revendo e analisando a intervenção realizada em 2006 chamada de Intervenção Cênica que
frisa os Actantes (Sociedade de Consumo) e as Entidades Figurativas (opressor/oprimido, alienado e rebelde), decidi então retomar o processo e realizar novamente este evento no espaço público comercial de Curitiba. Este (re)surge num desabafo materializado em ações físicas e gestos - Intervenção Cênica: Ensaio Aberto Parte I. Os processos desenvolvidos nesta intervenção agora fazem parte de meu projeto de Iniciação Científica O corpo em Cena – Invadindo Curitiba pelo Programa de Iniciação Científica da FAP orientado pela professora Ana Fabrício.
Mais que um manifesto para as artistas envolvidas, desejo poder dividir este olhar no espaço cênico, ou melhor no espaço público desenvolvendo ações físicas que comuniquem e afetem o outro que vê. Mexer com o olhar do público e com a arquitetura circundante é pensar em presença e deslocamento, é intervir no cotidiano recriando situações nos quais as colaboradoras se arriscam. E este risco me faz acreditar que “o teatro tem função preponderante de promover a comunhão social, eliminando praticamente a distinção entre palco, platéia, atores e espectadores.” (LIMA,1999)
.

Como relacionar Teatro, que é a minha referência, com as possibilidades de intervenções urbanas indicadas por Paola Berenstein Jacques, a fim de experimentar o espaço público, construindo situações cênicas entre eu, a atriz e o outro, o público? Talvez, intuitivamente, os indícios desta pesquisa se manifestaram na intervenção realizada em 2006 pela disciplina de Improvisação, orientado pela professora Ana Fabrício. Fruto de um exercício de criação de roteiro através de improvisações de ações físicas o grupo formado por mim e mais cinco colegas desenvolveu uma partitura de movimentos a partir da palavra “rasgo” que estruturou um tipo de “cena”. No percurso da criação percebemos a necessidade de uma transformação artístico-espacial, que não deveria ficar restrita a sala de aula. Já que esta “cena” comunicava fora das fronteiras da Faculdade, em espaços de grande fluência de pessoas decidimos “apresentar” este processo no calçadão da Rua XV de Novembro, região centro-comercial de Curitiba, Paraná. Denominado de Intervenção Cênica seu foco era eliminar o limite arquitetônico, apropriar-se e deixar-se apropriar pelo espaço aproximando público e artista. Por indicação de Ana Fabrício, em abril de 2009 eu e o grupo retomamos este processo de pesquisa. Após encontros decidimos executar o evento Intervenção Cênica: Ensaio Aberto Parte I novamente no calçadão da Rua XV de Novembro, agora trazendo definições teatrais por Patrice Pavis1 para a estrutura elaborada. COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA AO CONHECIMENTO PÚBLICO: O ARTIGO CIE
Ao relacionar as experiências com as definições de Pavis, puderam ser identificadas algumas semelhanças, no entanto nem todos os termos se ajustam ao evento realizado no dia 04/04/2009 (Foto acima) no calçadão da Rua XV de Novembro.
Os resultados foram analisados, sistematizados e reformulados num novo Roteiro de Ações, que será realizado em outro espaço público de Curitiba. As reflexões a partir destes eventos e suas relações com os elementos que constituem uma cena teatral servirão de base para o artigo finalizará o projeto O corpo em Cena: Invadindo Curitiba. O conteúdo, atual, deste artigo científico e mais os resultados visuais (vídeo e imagem) dos eventos realizados estão publicados em um blog www.intervencoescenicas.blogspot.com onde abro espaço para discussões e sugestões, esperando um retorno para prosseguir em minhas pesquisas.

AGUARDO TODOS LÁ PARA DIVIDIR E COLABORAR!


Abraços!!!

Aline (Negra) Silva

DA COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA AO CONHECIMENTO PÚBLICO: O ARTIGO CIE

DA COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA AO CONHECIMENTO PÚBLICO: O ARTIGO CIE



segunda-feira, 4 de maio de 2009

O Pai de Tânia Morreu

Célia está morta
dentro de um caixão,
gostosa!

Seu corpo decompõe
sensualmente,
de um jeito que só célia sabe fazer.
Só Célia sabe fazer...

Roxa e podre
foi nesse momento que
percebi que ela chama demais
a minha atenção.
Só Célia sabe...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Repostando, repropondo...

bom, eu ja havia postado esse poema do Leminski ano passado, mas tanto pelo que temos conversado no IMP(e que eu e a Fatima falamos muito nesse ultimo encontro) acho que ele continua pertinente...então, bom proveito queridos...beijos Gabriel Machado.

Contranarciso - Paulo Leminski

Em mim
Eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas
O outro
que há em mim
É você
Você
e você
Assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
E só quando estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós.

quinta-feira, 9 de abril de 2009


coisas que apreendemos ficam impressas em nosso corpo,movimento, inquietações.Investigação do movimento, saímos quer queiramos ou não modificados.Propor, palavra chave que me instiga,o artista é proponente,busca constante.As vezes criamos nossas próprias armadilhas e nos encerramos numa mesmice constante,o movimento se faz necessário em meio a tempestades e calmarias é preciso ter coragem de rompermos um espaço que nos delimita, e olharmos e vivenciarmos o que nos aguarda lá fora, coragem de ser.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Contrário disso: a capacidade de um corpo ser afectado

extraído do blog: luizcarlosgarrocho.blogspot.com
*Muito legal esse blog!!

7.1.07

No campo da criação corpórea aparece sempre a questão do corpo como um fenômeno de comunicação. Entranto, adentrei por um desvio que apresenta o corpo em suas forças capazes de afecção, a partir do pensamento de Gilles Deleuze, principalmente. Nessa busca, deparei-me com um texto de Peter Pál Pelbart, do qual publico um trecho que é, antes de tudo, muito inspirador:"... seria preciso retomar o corpo naquilo que lhe é mais próprio, sua dor no encontro com a exterioridade, sua condição de corpo afetado pelas forças do mundo e capaz de ser afetado por elas: sua afectibilidade. Como o observa Barbara Stiegler, para Nietzsche todo sujeito vivo é primeiramente um sujeito afetado, um corpo que sofre de suas afecções, de seus encontros, da alteridade que o atinge, da multidão de estímulos e excitações que lhe cabe selecionar, evitar, escolher, acolher7.Nessa linha, também Deleuze insiste: um corpo não cessa de ser submetido aos encontros, com a luz, o oxigênio, os alimentos, os sons e as palavras cortantes -um corpo é primeiramente encontro com outros corpos, poder de ser afetado. Mas não por tudo e nem de qualquer maneira, como quem deglute e vomita tudo, com seu estômago fenomenal, na pura indiferença daquele a quem nada abala...Como então preservar a capacidade de ser afetado, senão através de uma permeabilidade, uma passividade, até mesmo uma fraqueza? Mas como ter a força de estar à altura de sua fraqueza, ao invés de permanecer na fraqueza de cultivar apenas a força, pergunta Nietzsche e, no seu rastro, Stiegler, Lapoujade? Gombrowicz referia-se a um inacabamento próprio à vida, ali onde ela se encontra em estado mais embrionário, onde a forma ainda não “pegou” inteiramente8, e a atração irresistível que exerce esse estado de Imaturidade, onde está preservada a liberdade de “seres ainda por nascer”... Porém, será possível dar espaço a tais "seres ainda por nascer" num corpo excessivamente musculoso, em meio a uma atlética auto-suficiência, demasiadamente excitada, plugada, obscena, perfectível? Talvez por isso tantos personagens literários, de Bartleby ao artista da fome, precisem de sua imobilidade, esvaziamento, palidez, no limite do corpo morto. Para dar passagem a outras forças que um corpo excessivamente blindado não permitiria. Mas será preciso produzir um corpo morto para que outras forças atravessem o corpo?José Gil observou o processo através do qual, na dança contemporânea, o corpo se assume como um feixe de forças e desinveste os seus órgãos, desembaraçando-se dos “modelos sensório-motores interiorizados”, como o diz Cunningham. Um corpo “que pode ser desertado, esvaziado, roubado da sua alma”, para então poder “ser atravessado pelos fluxos mais exuberantes da vida”. É aí, diz Gil, que esse corpo, que já é um corpo-sem-órgãos, constitui ao seu redor um domínio intensivo, uma nuvem virtual, uma espécie de atmosfera afetiva, com sua densidade, textura, viscosidade próprias, como se o corpo exalasse e liberasse forças inconscientes que circulam à flor da pele, projetando em torno de si uma espécie de “sombra branca”9. Não posso me furtar à tentação, nem que seja de apenas mencionar, a experiência da Cia. Teatral Ueinzz, que coordeno em São Paulo, na qual reencontramos entre alguns dos atores ditos psicóticos, posturas “extraviadas”, inumanas, disformes, rodeados de sua “sombra branca”, ou imersos numa “zona de opacidade ofensiva”10.O corpo aparece aí como sinônimo de uma certa impotência, mas é dessa impotência que ele extrai uma potência superior, nem que seja às custas do corpo empírico.Pois é às custas do corpo empírico que um corpo virtual pode vir à tona. Desde o jejuador até o homem-inseto, os personagens de Kafka reivindicam um corpo “afetivo, intensivo, anarquista, que só comporta pólos, zonas, limiares e gradientes”. Como dizem Deleuze-Guattari, num tal corpo se desfazem e se embaralham as hierarquias, “preservando-se apenas as intensidades que compõem zonas incertas e as percorrem a toda velocidade, onde enfrentam poderes, sobre esse corpo anarquista devolvido a si mesmo”11, ainda que ele seja o de um coleóptero. “Criar para si um corpo sem órgãos, encontrar seu corpo sem órgãos é a maneira de escapar ao juízo” do pai, do patrão, de Deus, é uma maneira de fugir a todo um sistema do juízo, da punição, da culpa, da dívida.Ao invés da dívida infinita em relação à instância transcendente, o embate dos corpos, num sistema da crueldade imanente. Há aí, insistem os autores, nesse corpo desfeito e intensivo, tal como aparece em Kafka, uma vitalidade não-orgânica, inumana, e um combate: “Todos os gestos são defesas ou mesmo ataques, esquivas, paradas, antecipações de um golpe que nem sempre se vê chegar, ou de um inimigo que nem sempre se consegue identificar: donde a importância das posturas do corpo”12.Mas o objetivo do combate, diferentemente da guerra, não consiste em destruir o Outro, mas em escapar-lhe ou apossar-se de sua força. Em suma, o combate como uma “poderosa vitalidade não-orgânica, que completa a força com a força, e enriquece aquilo de que se apossa”.Mas o que é essa vitalidade não-orgânica? Em “Imanência: Uma Vida”, último texto escrito por Deleuze, comparece um exemplo -o de Dickens. O canalha Riderhood está prestes a morrer num quase afogamento, e libera nesse ponto uma “centelha de vida dentro dele” que parece poder ser separada do canalha que ele é, centelha com a qual todos à sua volta se compadecem, por mais que o odeiem -eis aí uma vida, puro acontecimento, em suspensão, impessoal, singular, neutro, para além do bem e do mal, uma “espécie de beatitude”, diz Deleuze"
13.

Peter Pál Pelbart -

Referências:(texto completo em http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,1.shl)
7 - Barbara Stiegler, "Nietzsche et la Biologie", Paris, PUF, 2001, p. 38.
8 - Witold Gombrowicz, "Contre les Poètes", Paris, Ed. Complexe, 1988, p. 129.
9 - José Gil, “Movimento Total”, Lisboa, Relógio d´Água, 2001, p. 153.
10 - http://ueinzz.sites.uol.com.br/home.htm
11 - G. Deleuze, “Crítica e Clínica”, São Paulo, Ed. 34, p. 149.
12 - G. Deleuze, “Crítica e Clínica”, op. cit., p. 149-150.
13 - G. Deleuze, "L´Immanence, Une Vie", in « Deux Régimes de Fous », Paris, Minuit, 2003.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Tarde chuvosa em um boteco qualquer. Cervejas, cigarros e pensamentos

Investigação. Palavra importante no vocabulário do artista. A investigação move para o desconhecido, o novo pra mim, a arte. O novo pra mim pode ser material já conhecido para outros mas o corpo tem limitações momentâneas. Momentâneas porque se investiga-se passa a conhecer o desconhecido até que outra descoberta aconteça, assim o corpo vai se renovando e ampliando-se.

União. O outro sempre é diferente de você, possui outros pensamentos, verdades, e provoca questionamentos até então não questionáveis. Ou colabora com a compreensão de dúvidas já existentes. O contato pode ser demolidor; Algo necessário pois a renovação é necessária. A solidão na criação é algo doloroso, acredito hoje. A união gera ampliação.

Movimento. Percebo que posso mover tudo e que tudo me move, constrói forma no meu corpo. Este é um suporte para o invísivel e também o palpável que me cerca. Mover vontades, desejos, sentimentos, percepções, o espaço, as pessoas, objetos.

Liberdade. O que eu faço com isso? O que quero dizer, o que proponho, o que modifico? Aproveitar a liberdade e a autonomia com questões, indagações; Propor. Mover. Investigar.

Não fechar esse espaço aberto, esses encontros, essas crises. Desdobrar sempre!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A prova final foi...

O essencial para o artista reside em exprimir em movimento a comunicação que ele estabelece com ele mesmo, a relação que ele cria com seu meio e o olhar que ele porta sobre sua culturae a sociedade na qual ele vive ( FRANK Widman)

Se esta citação acima, fosse a resposta.

Qual seria a pergunta?

Tentativas correm...mas é muito difícil defini-la sem rodeios... sem algo a mais...

A pergunta sempre é mais difícil do que respostas... Ela é simples e contem todo o conteúdo implícito.

Portanto...

Temos muitas respostas nos livros mas o que é difícil mesmo é saber a pergunta no meu corpo...?


AMORA


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Dualidades



Eu sei o quê dizer. Eu sei o quê dizer. Meu nome é Rafael Ricardo Pereira e confesso que estou em crise. Meu nome é Rafael Di Lari e confesso que estou em crise. Não sou o mesmo. Eu não sou o mesmo. A cada dia sou um outro. Frágil, sem verdades. Crenças. Sem me impor, eu sigo a manada. Me confundo com um outro, igual, e por um segundo surge a possibilidade daquele outro ser eu. Seria eu, então, um psicopata em potencial planejando ataques à senhoras gordas com suas sacolas de compra no centro de Curitiba atropelando pessoas nas suas pressas estúpidas de chegarem a lugar algum? E não chegarão pois são todas animais com objetivos pré-históricos... Ou...seria...eu...Ou seria eu um budista em repouso meditativo contemplando o sofrimento humano e esperando a Iluminação nos intervalos da novela das oito? Não sei o quê dizer. Eu sei o quê dizer. Sou uma cicatriz na testa e pintas e pêlos exclusivos que só eu possuo. Um antropofágico com refluxo, perdido em meio a um desfile carnavalesco de referências que a todo instante se justapõem e somem em devaneios. Sou Rafael Ricardo Pereira e sei o quê dizer. Sou Rafael Di Lari mas não sei o quê dizer.


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Encontros







tente entender o que pinto e o que escrevo agora.Vou explicar: Na pintura como na escritura procuro ver estritamente no momento em que vejo e naõ ver através da memória de ter visto no instante passado. O instante é este. O instante é em si mesmo iminente. Ao mesmo tempo que eu o vivo, lanço-me na sua passagem para outro instante.


(do livro àgua viva-Clarice Lispector)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Autonomia antes ou depois da ...autonomia


"particularmente, a oposição entre ideologia e ciência, que, explícita ou implicamente, fazia parte a conceptualização do conceito de ideologia desenvolvido por várias vertentes marxistas, não pode, depois do pós-estruturalismo, ser tão facilmente sustentada. Depois do pós - estruturalismo e partiularmente depois de Faucault, a oposição entre ciência e ideologia, fundamentada coo é na oposição "verdadeiro - falso", simplesmente se desfaz. Nesse sentido, as teorias pós-críticas, ao comtrário das acusações que lhes são feitas, ao deslocarem a questão da verdade para aquilo que é considerado verdade, tornam o campo social ainda mais politizado." (Tadeu T. 2007, p.146)

rede de criação



"porque nossa educação nos ensinou a separar e isolar as coisas. Separamos seus objetos de seus contextos, separamos a realidade em disicplinas compartimentadas umas das outras. A realidade, no entanto, é feita de laços e interações, e nosso conhecimento é incapaz de perceber o complexus - aquilo que é tecido em conjunto"(Morin, 2002, p. 11)


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Um bom coração é um coração caótico




Aquele que não tem perguntas, não encontra respostas. Aquele que não busca nada, não encontra nada. A história dos grandes inventos registra casos célebres de indivíduos que viam o que milhares e milhares haviam visto, porém, pessoas que souberam mover o caleidoscópio da natureza e da cultura, para obter novas configurações com os mesmos elementos que haviam estado à mão de todos.
M. Rodrigues

Parece que as idéias criadoras só nos ocorrem quando empregamos muito tempo e energia exatamente na atividade que lhe torna mais difícil emergir (...) talvez essa imersão em nosso assunto seja condição de pensamento criador, não só porque os dá os materiais com que pensamos, mas ainda porque nos familiariza com as dificuldades do problema.
Gruber

A criação do novo não é conquista do intelecto, mas do instinto de prazer agindo por uma necessidade interior. A MENTE CRIATIVA BRINCA COM OS OBJETOS QUE AMA.
Jung



quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Guaranteed (Tradução)
Eddie Vedder
Composição: Eddie Vedder

Garantido

De joelhos não é maneira de ser livre
Levantando um copo vazio, pergunto silenciosamente
Todos meus destinos aceitarão aquele que sou eu
Para que eu possa respirar...

Círculos que crescem e engolem pressoas inteiras
Metade de suas vidas dizem boa noite para esposas que nunca irão conhecer
Uma mente cheia de perguntas, e um professor em minha alma.
E assim vai...

Não se aproxime ou terei que ir
Segurando-me como a gravidade são lugares que puxam
Se alguma vez houve alguém que me manteve em casa
Seria você...

Todos que encontro, em gaiolas que compraram.
Eles pensam de mim e meus vacilos, mas nunca sou quem eles pensaram
Eu tenho a minhas indignações, mas sou puro em todos os meus pensamentos.
Eu estou vivo...

Vento em meus cabelos, me sinto parte de todos os lugares.
Sob meu ser está um caminho que desapareceu.
Tarde da noite eu ouço as arvores, elas estão cantando com os mortos
Sobrecarga...

Deixe comigo enquanto encontro uma maneira de ser.
Considere-me um satélite, sempre orbitando.
Eu conheço todas as regras, mas as regras não me conhecem.
Garantido...

*Ouvir música no youtube "Eddie Vedder - Guaranteed"

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Identidade

M.C. Escher


Quando eu tinha 5, 6 anos, eu morava em Sorocaba ( no interior de São Paulo) e morava em um prédio que ficava em uma rua bem inclinada. No alto da rua, tinha uma chácara onde eu, meu pai e meus irmãos íamos para brincar.

Um dia, voltando dessa chácara, soltei da mão de meu pai (meu pai sempre andava de mãos dadas com a gente) e corri rua abaixo em direção ao prédio.

Na entrada do prédio tinha um degrau e logo em seguida, outro. Como estava muito rápido, fui pular o primeiro degrau mas meu pé ficou preso e cai de testa na quina do segundo degrau. O piso era de pedra, daquelas retangulares.

Começou a sangrar muito e fiquei desesperado, chorando. Meu pai chegou e me levou até uma mulher que morava no térreo, e que era enfermeira, que me deu os primeiros pontos.

Tenho essa cicatriz na testa, no lado direito.
E provavelmente isso será a única característica minha que permanecerá igual até o fim dos meus dias.


Eu sou o que aparento ser? O que me difere dos outros? Como captar o instante em que sou isso se logo posso ser outro?