segunda-feira, 13 de julho de 2009
Hei Mãe! Olha nós no YouTube!!!
Brega Dancers no YouTube!
beijos...
boas férias!
http://www.youtube.com/watch?v=wJZ0V6ysulM
domingo, 12 de julho de 2009
eu danço!
nem sei se isso é contido em mim.
um suspiro do outro lado do mundo...
como de repente nascer um pouquinho de novo.
trazer para o coração a descoberta
e guardar que para descobrir é preciso caminhar...
a trajetória, o tempo, o pensar o si mesmo e pensar o outro...
um pé depois o outro... é como aprender a andar.
eu danço... eu danço...
eu danço, eu danço, eu danço, eu danço, eu danço, eu danço!"
Obrigada Ju!
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Intervenção Brega

Dia 26 de junho de 2009 o IMP fez sua primeira Intervenção Brega, às 12:15 na Praça Generoso Marques. Fomos completamente sem expectativas e nos surpreendemos imenso com a repercussão da idéia. Descobrimos juntos que, mais do que falar sobre a breguice, queríamos falar sobre o amor. Nossa proposta acabou se transformando em uma grande intervenção apaixonada em meio à uma Curitiba fria e cinzenta. Envolvemos algumas pessoas, quebramos o gelo com outras, provocamos a maioria. Aquecemos o espaço em 4 minutos e deixamos nosso pequenos rastro de luz e cor. Nossa vontade de continuidade se ampliou ao infinito. Queremos agora que o projeto tome proporções maiores, inclusive com mais pessoas e novos repertórios.
Se alguém se interessar ... procure-nos!!!!
Mas tem que ter alma brega e apaixonada!!!!!
Obrigada galerinha do IMP ............ arrasamossssssssssssssss
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Histórinhas construídas durante o IMP nesta sexta (19/06)
" Uma sereia sedutora ensaia uma coreografia para um concurso. Quando ela vai dormir sonha com sua dança, tem sonhos profundos e sai sonâmbula pela rua. A sereia acorda e faz o melhor show de sua vida. Ela seduz a platéia, ela sente o vento nos cabelos, sente o movimento da água e surpreende as pessoas quando se distancia lentamente e seu rabo vai sumindo, e pernas vão surgindo. Seu olhar é fulminante, todos estão hipnotizados.
Ela termina o show em um momento único e volta para casa dormir".
Elaborada por Maíra.
" Uma menina solitária sendo levada pelo vento e sendo derrotada, sempre curiosa e brincando consigo mesma.
Olha tudo o que acontece em sua volta. Agora pensa que é um bicho, imita ele de todas as formas. Imagina agora que está esquiando e sente cócegas. Ela acha isso tudo muito divertido. Tudo chama atenção e aproveita para criar uma nova brincadeira.
Ela se sente cansada um pouco depois de brincar e inventar várias coisas divertidas, mas ela não desiste e se anima novamente. Agora ela é um coelho e viaja.
Ela cada vez se sente mais cansada, mas sempre alguma coisa chama a atenção dela e não descansa. Mas decansa."
Elaborada por Thaísa.
"Ele estava tendo um ataque epilético em cima da corda bamba. A corda era elétrica e além de um ataque ele começou a levar choques no corpo inteiro.
Quando se libertou da corda elétrica e descansou do ataque correu até sua casa cavou a terra no quintal. Foi injetando terra por todas as partes do seu corpo. De tão aterrado que ele estava a felicidade invadiu sua vida. Decidiu então nadar no rio para tirar toda terra do seu corpo. Mas depois que a terra saiu do seu corpo ele sentiu sua falta. Enterrou-se novamente até a cabeça."
Elaborada por Camila.
"Ela tinha uma bola muito colorida nas mãos, ela estava cheia de energia verde e se quebrou. Toda energia verde invadiu seu corpo, o que a deixou meio zonza e sem saber o que fazer. Depois de parar e tomar fôlego ela viu que estava crescendo e podia mandar raios verdes. Então ela começou uma chacina de raios verdes, o que causou um transtorno no mundo. Veio forças de todo o mundo para detê-la e eles usaram todas as armas possíveis para destruí-la, mas ela era invensível e sambava raios verdes que agora ela aprendera a irradiar por todas as partes do seu corpo, o que a fez perder o controle e morrer em meio a raios verdes que irradiaram por todo o mundo e está aí, em nosso meio."
Elaborada por Gabriel.
"O bicho furou a terra, entrou nas profundezas da terra e encontrou um outro bicho muito maior e mais poderoso, roeu a perna do monstro na tentativa de combatê-lo. Inútil. Foi devorado.
Primeiro a cabeça. Depois os membros e o tronco. Era uma digestão. O monstro pouco acostumado àquele sabor. Temperou antes. Mas isso não aliviou o mal estar. Dentro do estômago os pedaços do bichinho saltavam de um lado a outro. Provocavam arrôto. Uma vingança terrível. O monstro não podia dormir. Vociferava. Rolava. Depois vieram os gases e a sensação de empaxamento mas o estômago ainda deglute parte do animal. Até que... alívio... vomitou."
Elaborada por Joanita.
obs: Ale peço desculpas, mas teve várias palavras que não consegui decifrar ou nem substituir da sua histórinha... hauauaha
Aguardo o próximo encontro para você me ajudar!!
Mil desculpasss meu protegido!!!
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Evidências!
Depois de muito trabalho para compor está tão complexa e bela COREÔ!
"Estaremos realizando" uma "intervention breganation" próxima 6ªfeira dia 26/06 na Praça Generoso Marques! APAREÇAM!
beijoooooooooooooooo
Aí vai a letra da música para todos curtirem intensamente!
Evidências
"Quando eu digo que deixei de te amar
É por que te amo
Quando eu digo que não quero mais você,
É por que te quero
Eu tenho medo de te dar meu coração
E de confessar que estou nas tuas mãos
Mas não posso imaginar
o que vai ser de mim
Se eu te perder um dia
Eu me afasto e me defendo de você,
mas depois me entrego
Faço tipo, falo coisas que eu não sou,
Mas depois eu nego
Mas a verdade
é que eu sou louco por você
E tenho medo de pensar em te perder
Eu preciso aceitar que não dá mais
para separar as nossas vidas
E nessa loucura de dizer que não te quero
Vou negando as aparências,
disfarçando as evidências
Mas para que viver fingindo
Se eu não posso enganar meu coração
Eu sei que te amo,
chega de mentiras
De negar meu desejo
Eu te quero mais do que tudo,
eu preciso do teus beijos
Eu entrego a minha vida
para você fazer o que quiser de mim
Só quero ouvir você dizer que sim
Diz que é verdade, que tem saudade
Que ainda você pensa muito em mim
Diz que é verdade, que tem saudade,
Que ainda você quer viver pra mim"
segunda-feira, 1 de junho de 2009
I.U. MULTIDÕES - TRANSFERIDA

Devido a chuva INTERVENÇÃO URBANA MULTIDÕES foi TRANFERIDA para o próximo domingo.
DATA: 07/06/09 (Domingo)
LOCAL: Ruínas e Largo da Ordem (Feira)
ENCONTRO: 13H00
ROUPA: Camisa ou Blusa Vermelha (de preferência sem estampa) e calça jeans azul (qualquer tom)
AÇÃO: Andar das Ruínas até o centro do Largo da Ordem e parar por alguns minutos. Ao ouvir um som de apito dispersar.
OBSERVAÇÃO: Se chover a intervenção será cancelada.
Dúvidas ligue no 41-8846-6346 / 41-9972-2226
Fique ligado durante essa semana no BLOG e participe!
quarta-feira, 20 de maio de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
DEBATE
Bem o pouco que achei nos dicionários me deixaram "cuturalmente" mais sábia (rs). Segue abaixo algumas definições:
Dicionário Michaellis
ca.fo.na
adj m+f (ital cafone) gír De mau gosto: Chapéu cafona. s m+f 1 Pessoa que se caracteriza pela falta de bom gosto ou pelo gosto estragado, principalmente no trajar e nas coisas da vida cotidiana. 2 Pessoa sem modos, acafajestada.
bre.ga
adj m+f pop Que tem gosto duvidoso ou de mau gosto; cafona. sf Reg (Nordeste) Zona do meretrício.
Bem vejo que a diferença é limiar dependendo da expressão, mas acho que essa discussão vai mais longe...Agora lanço a pergunta para todos: O QUE É BREGA, OU CAFONA PRA VOCÊ?!?
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Trecho do livro ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, de Aldous Huxley, de 1941.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Questões pensativas (minhas) provocadas pelo IMP
Juntam pessoas que vêm de uma investigação, procura ou curiosidade.
Juntam pessoas que buscam conhecimento, crescimento e /ou uma simples troca.
Pessoas que são diferentes no jeito de se expressar, falar, pensar, comer, dormir e viver, mas que podem encontrar semelhanças entre si ou não!
E foi nessa questão da diferença que fiquei muito pensativa depois que fizemos o último exercício das duplas, principalmente na parte de falar para o outro o que te interessava nele e como ele se movimentava.
Bom, surgiram algumas perguntas, tais como:
- Será que na hora que anotei o que me interessava nos movimentos do meu colega eu não acabei anotando e descobrindo justamente o que eu tinha dito que me interessava pra ele? (entenderam? hauhauha)
- Depois de ter visto que as coisas que escrevi foram meio vagas demais, surgiu a dificuldade: como contar exatamente qual é o jeito que ele faz os movimentos que me interessam?
- E será que os movimentos interessantes que anotei são características dele ou são os próprios movimentos apresentados que fazem parte dos seu trabalhos? Ou ele apenas se deteve no que achou interessante a respeito do que eu falei e tentou expressar em um movimento nunca pensado?
Aí estão algumas indagações que, como já disse, me deixaram muito pensativa. Acho que isso realmente aconteceu porque senti dificuldade de concluir o exercício.
E por isso que toco no assunto da diferença, pois achei que o Lyncoln conseguiu descrever muito bem o meu jeito de me movimentar e já eu não!
Portanto decidi expor as perguntas que surgiram e falar que foi meio complicado escrever como é o jeito dos movimentos do Lyncoln que me interessavam.
Bom, pode ser que eu tenha viajado um pouco e pensado demais, mas peraí, acho que também sou diferente! hauhauaha
Meus interesses
Me interessa a família, o laço, os filhos, o romantismo, a breguice, a sem-vergonhice e a canastrice.
Me interessa o ser humano.
Me interessa o corpo em toda sua complexidade, o corpo em movimento, o corpo aberto para a vida, o corpo frágil e persistente, o corpo que sente, a permanência, a ausência, a paciência.
Me interessa viajar, deslocar, me perder, me achar.
Me interessa ensinar, questionar, passar a bola prá frente, a generosidade, a personalidade, a idade.
Me interessa a natureza, a beleza, a pureza, a incerteza, a clareza, a safadeza e a delicadeza.
Me interessa um mundo de coisas impossíveis de listar. Me interessa o brilho no olhar. E amar.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
links de julgando balaú
essa passagem do waking life é linda. holy moment, fino.
e este debaixo é o tal do oiticica, que muito tem me interessa a sua proposta de fazer baurus.
http://www.youtube.com/watch?v=vxEFy7GvFrs
bjso
nozes e tuzes
que mora aqui dolade casa, bonitinho, mas não conversa
invensão
sou enquanto processo
sabe a historia do gosto da panqueca quando tá na boca
é isso, e tambem não é.
bjs
terça-feira, 5 de maio de 2009
PROJETO: O CORPO EM CENA-INVADINDO CURITIBA
O percurso escolhido inicialmente para o projeto O Corpo em Cena Invadindo Curitiba era fruto de minha participação no Workshop Laboratório Corpo/Cidade. Ministrado pela arquiteta Paola Jacques Berenstein, foi realizado no Centro de Estudos do Movimento - Casa Hoffmann, em Curitiba, Paraná. O corpo, matéria fundamental das discussões contemporâneas, era tema central desta oficina. O debate girou em torno das relações entre corpo e cidade, das possibilidades de apreensão, através das experiências corporais, de questões sócio-políticas que envolviam arquitetura, urbanismo e arte.
As informações recebidas e as indagações suscitadas, tanto estimularam a realização deste projeto como apresentaram um labirinto cujos caminhos intricados me fizeram percorrer em círculos e entrar em becos sem saída. No entanto foi perdida que encontrei uma trilha que não havia notado anteriormente: sua relação com minha experiência pessoal que está inscrita em minha trajetória corporal. Revendo e analisando a intervenção realizada em 2006 chamada de Intervenção Cênica que frisa os Actantes (Sociedade de Consumo) e as Entidades Figurativas (opressor/oprimido, alienado e rebelde), decidi então retomar o processo e realizar novamente este evento no espaço público comercial de Curitiba. Este (re)surge num desabafo materializado em ações físicas e gestos - Intervenção Cênica: Ensaio Aberto Parte I. Os processos desenvolvidos nesta intervenção agora fazem parte de meu projeto de Iniciação Científica O corpo em Cena – Invadindo Curitiba pelo Programa de Iniciação Científica da FAP orientado pela professora Ana Fabrício.
Mais que um manifesto para as artistas envolvidas, desejo poder dividir este olhar no espaço cênico, ou melhor no espaço público desenvolvendo ações físicas que comuniquem e afetem o outro que vê. Mexer com o olhar do público e com a arquitetura circundante é pensar em presença e deslocamento, é intervir no cotidiano recriando situações nos quais as colaboradoras se arriscam. E este risco me faz acreditar que “o teatro tem função preponderante de promover a comunhão social, eliminando praticamente a distinção entre palco, platéia, atores e espectadores.” (LIMA,1999).
Como relacionar Teatro, que é a minha referência, com as possibilidades de intervenções urbanas indicadas por Paola Berenstein Jacques, a fim de experimentar o espaço público, construindo situações cênicas entre eu, a atriz e o outro, o público? Talvez, intuitivamente, os indícios desta pesquisa se manifestaram na intervenção realizada em 2006 pela disciplina de Improvisação, orientado pela professora Ana Fabrício. Fruto de um exercício de criação de roteiro através de improvisações de ações físicas o grupo formado por mim e mais cinco colegas desenvolveu uma partitura de movimentos a partir da palavra “rasgo” que estruturou um tipo de “cena”. No percurso da criação percebemos a necessidade de uma transformação artístico-espacial, que não deveria ficar restrita a sala de aula. Já que esta “cena” comunicava fora das fronteiras da Faculdade, em espaços de grande fluência de pessoas decidimos “apresentar” este processo no calçadão da Rua XV de Novembro, região centro-comercial de Curitiba, Paraná. Denominado de Intervenção Cênica seu foco era eliminar o limite arquitetônico, apropriar-se e deixar-se apropriar pelo espaço aproximando público e artista. Por indicação de Ana Fabrício, em abril de 2009 eu e o grupo retomamos este processo de pesquisa. Após encontros decidimos executar o evento Intervenção Cênica: Ensaio Aberto Parte I novamente no calçadão da Rua XV de Novembro, agora trazendo definições teatrais por Patrice Pavis1 para a estrutura elaborada.
Ao relacionar as experiências com as definições de Pavis, puderam ser identificadas algumas semelhanças, no entanto nem todos os termos se ajustam ao evento realizado no dia 04/04/2009 (Foto acima) no calçadão da Rua XV de Novembro. Os resultados foram analisados, sistematizados e reformulados num novo Roteiro de Ações, que será realizado em outro espaço público de Curitiba. As reflexões a partir destes eventos e suas relações com os elementos que constituem uma cena teatral servirão de base para o artigo finalizará o projeto O corpo em Cena: Invadindo Curitiba. O conteúdo, atual, deste artigo científico e mais os resultados visuais (vídeo e imagem) dos eventos realizados estão publicados em um blog www.intervencoescenicas.blogspot.com onde abro espaço para discussões e sugestões, esperando um retorno para prosseguir em minhas pesquisas.
AGUARDO TODOS LÁ PARA DIVIDIR E COLABORAR!
Abraços!!!
Aline (Negra) Silva
segunda-feira, 4 de maio de 2009
O Pai de Tânia Morreu
dentro de um caixão,
gostosa!
Seu corpo decompõe
sensualmente,
de um jeito que só célia sabe fazer.
Só Célia sabe fazer...
Roxa e podre
foi nesse momento que
percebi que ela chama demais
a minha atenção.
Só Célia sabe...
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Repostando, repropondo...
Contranarciso - Paulo Leminski
quinta-feira, 9 de abril de 2009

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Contrário disso: a capacidade de um corpo ser afectado
*Muito legal esse blog!!
7.1.07
No campo da criação corpórea aparece sempre a questão do corpo como um fenômeno de comunicação. Entranto, adentrei por um desvio que apresenta o corpo em suas forças capazes de afecção, a partir do pensamento de Gilles Deleuze, principalmente. Nessa busca, deparei-me com um texto de Peter Pál Pelbart, do qual publico um trecho que é, antes de tudo, muito inspirador:"... seria preciso retomar o corpo naquilo que lhe é mais próprio, sua dor no encontro com a exterioridade, sua condição de corpo afetado pelas forças do mundo e capaz de ser afetado por elas: sua afectibilidade. Como o observa Barbara Stiegler, para Nietzsche todo sujeito vivo é primeiramente um sujeito afetado, um corpo que sofre de suas afecções, de seus encontros, da alteridade que o atinge, da multidão de estímulos e excitações que lhe cabe selecionar, evitar, escolher, acolher7.Nessa linha, também Deleuze insiste: um corpo não cessa de ser submetido aos encontros, com a luz, o oxigênio, os alimentos, os sons e as palavras cortantes -um corpo é primeiramente encontro com outros corpos, poder de ser afetado. Mas não por tudo e nem de qualquer maneira, como quem deglute e vomita tudo, com seu estômago fenomenal, na pura indiferença daquele a quem nada abala...Como então preservar a capacidade de ser afetado, senão através de uma permeabilidade, uma passividade, até mesmo uma fraqueza? Mas como ter a força de estar à altura de sua fraqueza, ao invés de permanecer na fraqueza de cultivar apenas a força, pergunta Nietzsche e, no seu rastro, Stiegler, Lapoujade? Gombrowicz referia-se a um inacabamento próprio à vida, ali onde ela se encontra em estado mais embrionário, onde a forma ainda não “pegou” inteiramente8, e a atração irresistível que exerce esse estado de Imaturidade, onde está preservada a liberdade de “seres ainda por nascer”... Porém, será possível dar espaço a tais "seres ainda por nascer" num corpo excessivamente musculoso, em meio a uma atlética auto-suficiência, demasiadamente excitada, plugada, obscena, perfectível? Talvez por isso tantos personagens literários, de Bartleby ao artista da fome, precisem de sua imobilidade, esvaziamento, palidez, no limite do corpo morto. Para dar passagem a outras forças que um corpo excessivamente blindado não permitiria. Mas será preciso produzir um corpo morto para que outras forças atravessem o corpo?José Gil observou o processo através do qual, na dança contemporânea, o corpo se assume como um feixe de forças e desinveste os seus órgãos, desembaraçando-se dos “modelos sensório-motores interiorizados”, como o diz Cunningham. Um corpo “que pode ser desertado, esvaziado, roubado da sua alma”, para então poder “ser atravessado pelos fluxos mais exuberantes da vida”. É aí, diz Gil, que esse corpo, que já é um corpo-sem-órgãos, constitui ao seu redor um domínio intensivo, uma nuvem virtual, uma espécie de atmosfera afetiva, com sua densidade, textura, viscosidade próprias, como se o corpo exalasse e liberasse forças inconscientes que circulam à flor da pele, projetando em torno de si uma espécie de “sombra branca”9. Não posso me furtar à tentação, nem que seja de apenas mencionar, a experiência da Cia. Teatral Ueinzz, que coordeno em São Paulo, na qual reencontramos entre alguns dos atores ditos psicóticos, posturas “extraviadas”, inumanas, disformes, rodeados de sua “sombra branca”, ou imersos numa “zona de opacidade ofensiva”10.O corpo aparece aí como sinônimo de uma certa impotência, mas é dessa impotência que ele extrai uma potência superior, nem que seja às custas do corpo empírico.Pois é às custas do corpo empírico que um corpo virtual pode vir à tona. Desde o jejuador até o homem-inseto, os personagens de Kafka reivindicam um corpo “afetivo, intensivo, anarquista, que só comporta pólos, zonas, limiares e gradientes”. Como dizem Deleuze-Guattari, num tal corpo se desfazem e se embaralham as hierarquias, “preservando-se apenas as intensidades que compõem zonas incertas e as percorrem a toda velocidade, onde enfrentam poderes, sobre esse corpo anarquista devolvido a si mesmo”11, ainda que ele seja o de um coleóptero. “Criar para si um corpo sem órgãos, encontrar seu corpo sem órgãos é a maneira de escapar ao juízo” do pai, do patrão, de Deus, é uma maneira de fugir a todo um sistema do juízo, da punição, da culpa, da dívida.Ao invés da dívida infinita em relação à instância transcendente, o embate dos corpos, num sistema da crueldade imanente. Há aí, insistem os autores, nesse corpo desfeito e intensivo, tal como aparece em Kafka, uma vitalidade não-orgânica, inumana, e um combate: “Todos os gestos são defesas ou mesmo ataques, esquivas, paradas, antecipações de um golpe que nem sempre se vê chegar, ou de um inimigo que nem sempre se consegue identificar: donde a importância das posturas do corpo”12.Mas o objetivo do combate, diferentemente da guerra, não consiste em destruir o Outro, mas em escapar-lhe ou apossar-se de sua força. Em suma, o combate como uma “poderosa vitalidade não-orgânica, que completa a força com a força, e enriquece aquilo de que se apossa”.Mas o que é essa vitalidade não-orgânica? Em “Imanência: Uma Vida”, último texto escrito por Deleuze, comparece um exemplo -o de Dickens. O canalha Riderhood está prestes a morrer num quase afogamento, e libera nesse ponto uma “centelha de vida dentro dele” que parece poder ser separada do canalha que ele é, centelha com a qual todos à sua volta se compadecem, por mais que o odeiem -eis aí uma vida, puro acontecimento, em suspensão, impessoal, singular, neutro, para além do bem e do mal, uma “espécie de beatitude”, diz Deleuze"
13.
Peter Pál Pelbart -
Referências:(texto completo em http://pphp.uol.com.br/tropico/html/textos/2792,1.shl)
7 - Barbara Stiegler, "Nietzsche et la Biologie", Paris, PUF, 2001, p. 38.
8 - Witold Gombrowicz, "Contre les Poètes", Paris, Ed. Complexe, 1988, p. 129.
9 - José Gil, “Movimento Total”, Lisboa, Relógio d´Água, 2001, p. 153.
10 - http://ueinzz.sites.uol.com.br/home.htm
11 - G. Deleuze, “Crítica e Clínica”, São Paulo, Ed. 34, p. 149.
12 - G. Deleuze, “Crítica e Clínica”, op. cit., p. 149-150.
13 - G. Deleuze, "L´Immanence, Une Vie", in « Deux Régimes de Fous », Paris, Minuit, 2003.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Tarde chuvosa em um boteco qualquer. Cervejas, cigarros e pensamentos
União. O outro sempre é diferente de você, possui outros pensamentos, verdades, e provoca questionamentos até então não questionáveis. Ou colabora com a compreensão de dúvidas já existentes. O contato pode ser demolidor; Algo necessário pois a renovação é necessária. A solidão na criação é algo doloroso, acredito hoje. A união gera ampliação.
Movimento. Percebo que posso mover tudo e que tudo me move, constrói forma no meu corpo. Este é um suporte para o invísivel e também o palpável que me cerca. Mover vontades, desejos, sentimentos, percepções, o espaço, as pessoas, objetos.
Liberdade. O que eu faço com isso? O que quero dizer, o que proponho, o que modifico? Aproveitar a liberdade e a autonomia com questões, indagações; Propor. Mover. Investigar.
Não fechar esse espaço aberto, esses encontros, essas crises. Desdobrar sempre!
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
A prova final foi...
Se esta citação acima, fosse a resposta.
Qual seria a pergunta?
Tentativas correm...mas é muito difícil defini-la sem rodeios... sem algo a mais...
A pergunta sempre é mais difícil do que respostas... Ela é simples e contem todo o conteúdo implícito.
Portanto...
Temos muitas respostas nos livros mas o que é difícil mesmo é saber a pergunta no meu corpo...?
AMORA
